Emma Tyrou a soutenu sa thèse le 1er avril 2026, intitulée « Une approche institutionnaliste de l’allocation des terres : accaparement de terres et réformes agraires en Amazonie brésilienne (2002-2025) » et dirigée par Philippe Batifoulier.
Le jury était composé de :
- FIGUIÈRE Catherine, Professeure des Universités, Université Grenoble Alpes, Creg, Rapportrice ;
- LALLAU Benoît, Maître de conférences HDR, Sciences Po Lille – Université de Lille, Clersé, Rapporteur ;
- GUENNIF Samira, Professeure des Universités, Université Sorbonne Paris Nord, Iris, Examinatrice ;
- PEREIRA LEITE Sérgio, Professor Titular, Université Fédérale Rurale de Rio de Janeiro, Cpda, Examinateur;
- ROUDART Laurence, Professeure des Universités, Université Libre de Bruxelles, Faculté de Philosophie et Sciences sociales, Examinatrice ;
- BATIFOULIER Philippe, Professeur des Universités, Université Sorbonne Paris Nord, Cepn, Directeur de thèse
Résumé
Cette thèse s’intéresse au phénomène d’accaparement des terres dans une perspective d’économie politique institutionnaliste (EPI) de l’allocation des terres. Mobilisant un cadre d’analyse à la croisée de l’EPI et de la socio-économie du développement, nous avons suivi un mouvement abductif. Les quatre chapitres de thèse comprennent une discussion conceptuelle pluraliste, sa confrontation aux réalités empiriques à l’échelle internationale, et l’étude d’un cas critique en Amazonie brésilienne (municipalité de Santarém, État du Pará). Notre méthodologie est pluraliste et transdisciplinaire. Un terrain de recherche multisitué de cinq mois non consécutifs au Brésil a permis de récolter des données qualitatives de première main (25 entretiens semi-structurés et des observations). Nous les combinons avec un important corpus de littérature grise, des statistiques agricoles et démographiques officielles, ainsi que des données chiffrées et qualitatives issues d’observatoires socio-économiques.
Alors que la littérature dominante en économie discute des « transactions de terres » et conteste la pertinence analytique du terme d’accaparement de terres, auquel est conféré le statut de « perception » et non de concept scientifique, cette thèse adopte à la fois l’angle des modalités d’allocation et un dialogue croisé sur les concepts de réforme agraire et d’accaparement des terres. Les modalités d’allocation sont comprises à travers la grille de la « triade » polanyienne : réciprocité, redistribution, transaction. En outre, la réforme agraire est définie comme impliquant une forte composante de redistribution.
À l’échelle internationale, le consensus autour de la sécurité foncière dans les débats prescriptifs masque des zones grises où réforme agraire et accaparement s’articulent, en particulier sur les terres « de l’État » qui représentent plus de 60% des terres du monde. Notre analyse des données chiffrées sur ces terres montre qu’elles sont comprises à l’aune d’outils issus de l’approche contractuelle en économie institutionnelle. Pour dépasser ces limites, nous interrogeons le continuum réformes-accaparement à travers non seulement les liens entre la redistribution et le marché, mais aussi ceux entre ces deux modalités d’allocation et la réciprocité. Suivant une lecture radicale de Polanyi, nous étudions la formation de résistances pour un réencastrement de la terre et son contrôle social – les contremouvements – et leur relation à l’État, comme un des facteurs qui permet de comprendre les trajectoires d’allocation des terres.
Nos résultats sur les zones de réforme agraire environnementalement différenciées en Amazonie brésilienne, mises en place dans un cycle politique de compromis socio-environnementaux, au sein d’une région marquée par la marchandisation aiguë et l’avancée de la monoculture mécanisée d’export (élevage bovin et soja), montrent que la formalisation de droits sur des terres de l’État, même insérée dans les stratégies de contremouvements, ne fournit pas toujours une sécurité foncière aux terres collectives en tant qu’espaces de résistance à la marchandisation. Le niveau d’autonomie des droits formalisés vis-à-vis de l’État peut être compris à travers les droits d’autorité (dits de 3e ordre), il constitue un facteur déterminant du niveau de sécurité foncière contre l’accaparement de terres.
Mots-clés : Accaparement des terres ; Amazonie (légale) ; Brésil ; Développement ; Économie institutionnaliste ; Modalités d’allocations ; Réforme agraire
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Resumo
Esta tese aborda o fenômeno da apropriação de terras numa perspectiva de economia política institucionalista (EPI) sobre a alocação de terras. Utilizando um quadro analítico que combina a EPI e a socioeconomia do desenvolvimento, seguimos uma abordagem abductiva. Os quatro capítulos da tese incluem uma discussão conceitual pluralista, sua confrontação com as realidades empíricas em escala internacional e o estudo de um caso crítico na Amazônia brasileira (município de Santarém, estado do Pará). Nossa metodologia é pluralista e transdisciplinar. Um campo de pesquisa multissituado de cinco meses não consecutivos no Brasil permitiu coletar dados qualitativos em primeira mão (25 entrevistas semiestruturadas e observações). Eles são combinados com um importante corpus de literatura cinzenta, estatísticas agrícolas e demográficas oficiais, bem como dados quantitativos e qualitativos provenientes de observatórios socioeconômicos.
Enquanto a literatura dominante em economia discute as “transações de terras” e contesta a relevância analítica do termo acaparamento de terras, ao qual é conferido o status de “percepção” e não de conceito científico, esta tese adota ao mesmo tempo a perspectiva das modalidades de alocação e um diálogo cruzado sobre os conceitos de reforma agrária e acaparamento de terras. As modalidades de alocação são compreendidas através da “tríade” polanyiana: reciprocidade, redistribuição, transação. Além disso, a reforma agrária é definida como envolvendo uma forte componente de redistribuição.
Em escala internacional, o consenso em torno da segurança fundiária nos debates prescritivos esconde zonas cinzentas onde a reforma agrária e a apropriação se articulam, em particular nas terras «do Estado» que representam mais de 60% das terras do mundo. Nossa análise dos dados quantitativos sobre essas terras mostra que elas são compreendidas à luz de ferramentas derivadas da abordagem contratual em economia institucional. Para superar essas limitações, questionamos o continuum reformas-apropriação não apenas através das ligações entre redistribuição e mercado, mas também entre essas duas modalidades de alocação e a reciprocidade. Seguindo uma leitura radical de Polanyi, estudamos a formação de resistências para um reencaixe da terra e seu controle social – os contramovimentos – e sua relação com o Estado, como um dos fatores que permite compreender as trajetórias de alocação de terras.
Nossos resultados sobre as zonas de reforma agrária ambientalmente diferenciadas na Amazônia brasileira, implementadas em um ciclo político de compromissos socioambientais, em uma região marcada pela mercantilização aguda e pelo avanço da monocultura mecanizada de exportação (pecuária bovina e soja), mostram que a formalização dos direitos sobre as terras da União, mesmo inserida em estratégias de contramovimentos, nem sempre proporciona segurança fundiária às terras coletivas como espaços de resistência à mercantilização. O nível de autonomia dos direitos formalizados em relação ao Estado pode ser compreendido através dos direitos de autoridade (chamados de 3ª ordem), que constituem um fator determinante do nível de segurança fundiária contra a apropriação de terras.
Palavras-chave : Apropiação de terras; Amazônia (legal); Brasil; Desenvolvimento; Economia institucionalista; Modalidades de alocação; Reforma agrária
